| Senhora Galegolina Melão, eis-me
aqui!
O nascer do meu palhaço foi acontecendo aos
poucos. O primeiro momento em que ri de mim mesma foi
quando o palhaço Amori, meu primeiro messieur,
disse que achava meus pés engraçados e
que era legal o modo como eu os assumia.
Assumir meus pés? Parece loucura, mas esse foi
apenas o início de uma série de revelações
físicas e psicológicas que estavam por
vir... Uma verdadeira busca pela pureza da alma!
Brincar com a criança que existe em nosso coração
nos ajuda a manter acessa a energia do belo e somente
ela pode nos conduzir ao mundo mágico dos clowns.
Hoje, percebo que meu palhaço e eu temos uma
relação muito próxima. Não
consigo viver sem ele um dia sequer, seja em uma gargalhada,
na atrapalhação ou em uma simples distração…
Ele é imensamente forte e me orgulho disso, pois
poder ser de verdade, se assumir enquanto pessoa é
muito, muito bom mesmo!!
Para mim é extremamente gratificante fazer parte
da Cia Cuca de Teatro desde sua fundação.
Desde que comecei a fazer teatro nunca consegui esconder
minha alma de criança. Meu primeiro papel na
montagem de estréia, Maria Minhoca, do tímido
e fraco Chiquinho Colibri, pôde revelar meu jeito
moleque, atrapalhado e desastrado de ser.
Desde então, meu amor, dedicação
ao teatro e profissionalismo vem contribuindo para o
crescimento do grupo. O comprometimento de toda a trupe
tem sido fundamental na nossa trajetória.
Minha alegria é fazer o outro feliz e conseguir
despertar, no olhar de cada criança, o sorriso
da felicidade. Meu sonho é elevar cada vez mais
o teatro, tornando-o vivo, importante e necessário
para todas as pessoas.
De todos cursos realizados na área de produção
e de aperfeiçoamento da arte de interpretar,
a pesquisa do palhaço é, sem dúvida,
a descoberta mais importante.
Com o palhaço aprendi a me conhecer melhor,
a me relacionar mais intensamente com o outro, de uma
forma verdadeira, sem subterfúgios, sem máscaras…
Tornei-me mais generosa, solidária... Aprendi
a amar o outro através das diferenças.
Por tudo isso agradeço a João Lima, meu
primeiro e inesquecível messieur, à Alexandre
Casali, meu atual messieur, e aos Anjos do Picadeiro.
Atriz, produtora e autora
Formada em Ciências Sociais, com especialização
em Gestão de Empresas, Elizete Destéffani
atua na Cia Cuca de Teatro como atriz, produtora e autora
de textos teatrais. Nascida em Castelo, Espírito
Santo, no seio de uma família de imigrantes italianos,
a atriz adotou a Bahia como lugar de morada desde 1995.
Neta do Maestro Rafael Zardo, Destéffani se espelha
na sabedoria do avô, figura admirada por toda
a família, em especial pela sua mãe, dona
Terezinha, mulher de fibra e resistência, sua
verdadeira fonte de inspiração.
Movida por uma energia acima dos padrões, Elizete
dedica seu tempo com exclusividade aos trabalhos da
Cia Cuca de Teatro e à sua família de
galegos (Henrique, Henriquinho e Davi). Ela costuma
dizer que é feliz porque conseguiu aliar família
e trabalho, em tempo integral. Casada com o diretor
de produção da Cia, Henrique Motté,
Elizete diz ter encontrado no amor, o companheiro ideal
para superar todos os obstáculos e comemorar
todas as vitórias na vida e nos palcos. |